
A Associação do Quilombo Kalunga, que representa moradores de um dos maiores territórios de áreas remanescentes de quilombo no Brasil, ganha, este mês, o primeiro armazém para venda dos produtos da agricultura familiar e extrativismo, que irão beneficiar mais de 280 famílias de produtores e artesãos. O espaço, construído com o apoio do Programa COPAÍBAS, gerido pelo Fundo Brasileiro Para Biodiversidade (FUNBIO), contará com a presença de 80% de mulheres quilombolas à frente da comercialização e foi erguido em Cavalcante, em Goiás, terceira cidade com maior proporção de moradores quilombolas do Brasil, chegando a 57%, de acordo com o último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Temos muito orgulho ter construído nosso primeiro armazém pelas mãos da nossa comunidade e ter contado com o apoio do COPAÍBAS. Antes, produzíamos, mas não tínhamos um local para vender e perdíamos muito. Queremos organizar a cadeia produtiva do nosso território e, futuramente, criar nossa marca coletiva”, conta o presidente da Associação Quilombo Kalunga, Carlos Pereira, de 29 anos.
Construído a partir da técnica de adobe pelos homens quilombolas da Associação, o 1º Armazém Quilombo Kalunga será inaugurado numa celebração que começa nesta quinta, dia 27, e vai até 30 de março. O evento contará com manifestações artísticas e exposição dos produtos artesanais da cultura quilombola. O objetivo do novo espaço é atrair todas as famílias do território e visitantes das cidades no entorno da Chapada dos Veadeiros e Brasília e, assim, expandir a venda dos produtos Kalunga, típicos do Cerrado, como a castanha do baru e o pequi. A lista inclui ainda alimentos produzidos de forma artesanal como a farinha do jatobá e a farinha Kalunga, rapadura, melado da cana e mel de abelha. E, também, a produção local de arroz e feijão, de mais de 3.500 quilombolas.
Sobre o Território Kalunga
O território abrange 39 regiões e está contido no perímetro de três municípios: Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás. E conta com mais de oito mil quilombolas. Em 2021, o território Quilombo Kalunga foi reconhecido, por um programa ambiental da ONU como o primeiro Território e Área Conservada por Comunidades Indígenas e Locais (Ticca) do Brasil. Para obter o Ticca, é necessário que o território seja uma área preservada, respeitando os costumes da população, o cultivo da terra e o trabalho exercido.
Crédito da imagem: Documentário “Adobe: Habilidades Tradicionais da Construção Kalunga”, de Deusenir Santana