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Parque Estadual Águas do Paraíso mapeia pontos de turismo de observação de aves 

Cerca de 290 espécies de aves foram mapeadas no Parque Estadual Águas do Paraíso, em Goiás, incluindo 11 migratórias e 13 endêmicas do Cerrado brasileiro. O estudo, apoiado pelo Programa COPAÍBAS, foi realizado por Marcelo Lisita Junqueira, biólogo e especialista em observação de aves, em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e o grupo de observadores Oia Passarinhar e teve como um de seus principais objetivos ampliar o ecoturismo na região. O Programa COPAÍBAS – Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas e Áreas Protegidas nos Biomas Amazônia e Cerrado – é financiado pela Iniciativa Internacional da Noruega para Clima e Florestas (NICFI) e tem o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como gestor técnico e financeiro.

Realizada em 2025, a pesquisa teve duas etapas principais: o levantamento em campo e a realização de uma capacitação com guias locais. Para o mapeamento, os pesquisadores seguiram uma metodologia já usada para coleta de dados desse tipo de amostragem de avifauna. Foram selecionados 45 pontos de observação, variando os ambientes e os tipos de vegetação presentes nos quase 6 mil hectares do parque. 

Espécies vulneráveis como o Pato Mergulhão, a Águia Cinzenta e o Tico de Máscara Negra foram avistadas durante a pesquisa. Elas estão catalogadas, respectivamente, como criticamente em perigo, em perigo e vulnerável, na Lista Nacional Oficial das Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção, desenvolvida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “Ao fazer esses levantamentos, trabalhamos para preencher lacunas de conhecimento. Mapeando essas aves, oferecemos novas possibilidades de turismo sustentável na região. Além, é claro, de também delimitar áreas com espécies em perigo e/ou extinção”, explica Junqueira.

Para além do levantamento de espécies, a equipe também realizou um mapeamento das trilhas já existentes que poderiam ser utilizadas para a observação dos animais catalogados. A junção desses dados permitiu que os pesquisadores desenvolvessem um material mais amplo, focado no incentivo ao turismo de observação de aves, mas, também, mostrando o potencial de conservação que áreas protegidas como o Águas do Paraíso possuem. 

Os resultados do estudo foram apresentados para moradores de assentamentos localizados ao redor do parque, guias que atuam na região e profissionais que trabalham no Parque Estadual de Terra Ronca, também em Goiás, promovendo um intercâmbio de conhecimento. Os participantes receberam um manual de apoio para condução do turismo de observação de aves no território da Chapada dos Veadeiros, produzido pela UFG e impresso pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (SEMAD). Para Mozart Freitas, gestor do Parque Estadual Águas do Paraíso, a capacitação foi uma forma de ampliar a rede de cuidadores da biodiversidade protegida pelo parque. “Oferecer essa formação para as comunidades que moram no entorno da área de proteção é uma forma muito potente de fortalecer não só o Águas do Paraíso, mas toda a região em que ele se insere”, afirma. 

Foto: Divulgação/Marcelo Lisita

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